domingo, 29 de maio de 2011

Ninguém vê a si mesmo

Por maior que seja o esforço, o resultado será quase sempre nulo. Não conheci até hoje ninguém (estou incluso na estatística) que conseguisse ver a si mesmo com isenção, com equanimidade. Estamos tão comprometidos em passar uma imagem que se aproxime da perfeição que nada é capaz de destruir essa trapaça mental que costumamos fazer. Mesmo que defeitos se sobressaiam gritantemente em relação às qualidades, serão estas últimas a ocupar um lugar de destaque no nosso diálogo com o outro.

Isso levanta uma questão crucial em relação à terapia. O que comumente apresentamos ao profissional que se dedica a nos ouvir atentamente é só uma versão do que somos. A nossa versão. Não necessariamente a realidade, o que de fato é. Em muitos casos, esse desfocamento é que nos permite seguir em frente, mantendo a uma certa distância a depressão. Como não há ninguém para confrontar o que dizemos, fica o dito pelo não dito e o resultado de muitos tratamentos costuma ser desastroso. O que tenho visto em amigos “analisados” é uma grande confusão entre ser autêntico, dizer a verdade e a construção falsa e arrogante de um eu que se coloca sempre em primeiro lugar.

É raro encontrar alguém que tenha a coragem de se expor e expor o que descobre de pior dentro de si. Humano, compreensível. Mas chega uma hora na vida em que não dá mais para fazer de conta que somos a criação suprema da natureza. E vai aqui uma crítica suplementar a algo que vejo cada vez mais em quem passa uma ou duas horas nos consultórios: alguns profissionais têm se especializado em recalcar essas áreas sombrias de seus pacientes, ao invés de jogar luz sobre elas e tentar entender o porquê de determinadas atitudes. Chama-se a isso reforçar a auto-estima? Não sei, mas valorizar posturas autoritárias, por exemplo, não costuma nos melhorar em absolutamente nada. O que percebo é que eles acabam fornecendo os argumentos que precisamos para justificar nossa arrogância e prepotência.

De minha parte, tenho tentado, dia após dia, me desarmar e chegar sem escudos aos seres com que convivo. É certo que o resultado nem sempre é o desejado, mas a tentativa de reconhecer o que em mim é falho, as minhas obsessões, os demônios que me habitam, talvez mereça algum crédito. Provavelmente essa busca seja o resultado do meu cansaço em ver tantas pessoas placidamente sentadas em seu trono particular, com total desconsideração pelos desejos dos que os cercam. Quase sempre com a boca repleta de frases que fariam um ditador viciado em poder sentir-se aprendiz.

Não é fácil se despir desses auto-enganos que vamos laboriosamente alimentando ao longo da vida. Com isso não busco negar a importância da construção de uma boa imagem. Mas ela tem que ter pelo menos uma razoável relação com o que de fato somos. Caso contrário, morreremos com a falsa crença de que quem tem que mudar é a esposa, o filho, o vizinho, o colega. Uma pequena dose de honestidade é vital para desembaçar o vidro que colocamos entre nós e nós mesmos.

Vou persistir nessa interminável tarefa de trapacear um pouco menos comigo. Em algum momento terei que me confrontar. Postergar esse desafio não me parece uma atitude inteligente. Pretendo recorrer a quem seja necessário para que isso aconteça. Mas sempre com muita desconfiança nos resultados. Somos mestres em disfarces. A segunda resolução é que desisti de tentar fazer o jogo do convencimento, essa tentativa de mudar quem está próximo. Pura perda de tempo. São decisões estritamente pessoais e que não podem ser forçadas por uma mão alheia, por mais leve que ela seja.

Eu sou o que menos sabe de mim. Sou meu maior desconhecido. Preciso de todos para retirar essa espessa camada que me impede de ver o óbvio. O difícil óbvio que muitas vezes embaralha o que deveria nascer encharcado de sinceridade. Se me furtar a isso, estarei cometendo a maior das traições, talvez a única que mereça este nome.

sábado, 30 de abril de 2011

Amor `FATI´


Apego-me como um náufrago a cada vislumbre de alegria

Amar o seu destino, amar o que existe em você. Nesta perfeita expressão que encontramos na obra de Nietzsche está circunscrito todo um itinerário de desenvolvimento do nosso ser. Isso me remete as tantas inquietações que nos assolam, aos desejos diversos que não coincidem com o que somos, com o que fazemos. Essa desordem interior – um desassossego à maneira de Fernando Pessoa – faz com que nos descuidemos do real, do que está desenhado na borda de cada dia.

No descontentamento que se vê nos olhos de muitos é provável que esteja presente uma incapacidade para se adequar ao real. Como se o que estivesse acontecendo ao nosso redor fosse sempre mais interessante. Só que os que estão próximos não raro olham para nós com a mesma inveja. E assim, querendo ser tudo, menos o que somos, acabamos por perder a substância que nutre a nossa vida. Que muitas vezes guarda a aspereza dos limões. Que dói e machuca e deixa em nós uma vontade de alheamento. Mas que passa, passa. A felicidade não pode ser apenas um breve intervalo em meio a toda essa fúria que estilhaça a alma.

Quero que minhas crenças sejam de outra ordem. Não recuso o percalço, a doença, a fragilidade. Mas me apego como um náufrago a cada vislumbre de alegria. Não à comemoração ritualista, essa que vem carregada de obrigações, de datas previamente agendadas. O que em mim é motivo de festa pertence ao pequeno, ao acidental. Se há um destino, um fado que seguimos até o esgotamento, eu desconheço. Cada vez mais creio no mistério do acaso. Por isso traço para mim uma rota que vai sendo alterada constantemente. Porque sei que sou o resultado feliz ou amargo de um encontro, um acidente de percurso, uma gratificação que nasce simplesmente por estar em disponibilidade.

Amor fati. Amor ao que é concreto, tangível. Sou uma esfera de possibilidades, paisagem do que fui, esboço futuro do que serei. Tenho sede de tudo que é palpável, mesmo que a imaginação, aqui, também tenha um papel importante. Não sonho com o destino do outro. Já estou na idade em que preciso me conformar com minha própria fisionomia. Sem mágoas, sem ressentimentos. Perdi e ganhei. Os que se aproximam de mim e os que partem rapidamente nada mais fazem do que continuar a esboçar um pouco mais da minha personalidade. Tudo isso parece ser uma brincadeira. Por vezes terrível, por vezes adorável.

Tenho esse frêmito que quer mais e mais vida. Gosto da filosofia porque ela me expande, mostrando não o que sou, mas o que ignoro. Tento fugir cada vez mais das conclusões. É tão perigoso acreditar que se saiba sempre as respostas. Melhor ir dando as mãos a quem está do nosso lado, ir tateando. Juntando pedaços que talvez algum dia possam nos dizer se há um significado, um sentido para esse aparente caos. A madureza cobra seu preço, mas também nos dá a percepção de tudo o que se desmancha sem que a gente perceba.

Eu quero mais tempo. Mas não um tempo rugoso, que me deixe ressentido. Busco a coragem para rever algumas lições. Sei que não conseguirei me graduar. Mas tenho a fome necessária para continuar abrindo todos os cadernos.

terça-feira, 26 de abril de 2011

E ainda sobra tempo


Sentimo-nos valorizados cada vez mais pela ação

Existe uma equação simples para tentar decifrar esse grande mistério da falta de tempo na vida das pessoas. É só parar e fazer a conta das horas desperdiçadas em atividades completamente inúteis. A relação é tão vasta que nem vale a pena fazê-la. Mas pode-se tentar uma tomada de consciência a partir de acontecimentos do nosso cotidiano. Você conhece uma situação que nos deixa com mais culpa do que não fazer nada? O corpo pode até estar em estado de repouso, mas a mente viaja quilômetros e mais quilômetros, sofrendo por tudo que deveria estar fazendo e não faz. Provavelmente seja por isso que muitos de nós damos um jeitinho de levar o notebook para a praia ou o hotel da cidade em que vai tirar férias. O ócio passou a ser o oitavo pecado capital dos nossos dias. Em gravidade, deve estar entre os primeiros.

Sentimo-nos cada vez mais valorizados pela ação. Empilhamos atividade sobre atividade e, ao fim do dia, a descoberta do não cumprimento de uma meta causa grande sofrimento. Contemplar tornou-se obsoleto, coisa de quem tem alma de poeta. Poeta extraviado. As estações passam por nós como se fossem todas da mesma cor, da mesma textura. É claro que muitos se entregam a essa compulsão porque há uma cobrança permanente pairando no ar. Só os melhores, os mais ágeis e espertos sobrevivem no mercado. E isso acabou virando senso comum – multidões andando por aí em busca do que fazer.

Já há alguns anos tenho adotado um olhar diferente. Tento cortar tudo o que posso e reduzir a vida a certos núcleos que me parecem vitais. Todos reclamam que não sobra uma mísera hora diária para a leitura. Mas sobram três ou quatro para assistir televisão. Os pais reclamam que os filhos quase nunca estão em casa. Mas eles muitas vezes passam mais tempo diante do computador do que os filhos. Namorados trocaram a intimidade física por mensagens online. Um breve monitoramento para saber onde estão parece dar conta de qualquer insatisfação amorosa. E todos convencidos de que é assim mesmo e não há nada o que se fazer. Mas há, sempre há.

O desejo exagerado de obter sucesso nos enredou de tal modo que acabamos aceitando tudo como natural. E com justificativas racionais e fundamentadas. Recusar passou a ser uma falta de educação que poucos se permitem. Participam de tudo, mesmo estando presentes só fisicamente, loucos para voltar pra casa e se livrar do evento chato. Está aí uma expressão que não sai da nossa boca: “Eu não queria ir, mas era um compromisso irrecusável.” E vamos, totalmente sem vontade, cumprir mais um ritual destituído de prazer.

Tenho recuperado umas boas horas depois que aprendi a dizer não. Existem parcerias, existem amizades e existem necessidades profissionais e afetivas. Tudo certo. Mas esse excesso de cuidado para não magoar ninguém está nos transformando em seres amargurados, queixosos. Lembremos do verso de Rimbaud: “Por delicadeza, eu perdi minha vida.”

Consigo fazer muitas coisas e ainda sobra tempo. Resultado de algumas escolhas conscientes. Um exemplo? Na minha casa ninguém leva trabalho que ficou pendente durante o dia. Com a TV quase sempre desligada, conversamos, lemos, assistimos filmes, saímos para jantar. Ou simplesmente ficamos preguiçosamente deitados no sofá, falando ou em silêncio. Isso se tornou tão importante que já não questionamos mais se é certo ou errado. É simplesmente a nossa maneira de ser feliz. E de reclamar menos.

Daqui a pouco teremos que devolver tudo, como nos ensinam os mestres budistas. Melhor pensar na vida como uma brincadeira. E se divertir. Estamos ficando velhos muito cedo. E sérios. E responsáveis. E resmungões.

Estou tentando diminuir o peso das malas que carrego. Não quero perder meu trem para Pasárgada. Sem poesia já é noite. Corremos o risco de morrer sem descobrir que a luz era a própria paisagem.

sábado, 9 de abril de 2011

DESEJOS atendidos


Sonho satisfeito, frustração à vista

Volta e meia ponho-me a pensar nesta frase do escritor Oscar Wilde: “Só existem duas tragédias na vida de um homem: a primeira é não conseguir o que ele mais deseja; a segunda é conseguir.” Por que isso é tão recorrente? Quando realizamos um projeto, muitas vezes precedido de grande expectativa, logo, logo, derrapamos na melancolia. É como se um dique tivesse estourado e não conseguíssemos mais represar a água que tudo inunda. Como se o tamanho do nosso sonho não coubesse mais dentro da vida real. E isso não se constitui numa exceção ou numa espécie de vício de almas desocupadas. Ao contrário, esse sentimento de inadequação entre o desejo e a sua realização assola até as pessoas mais pragmáticas. Essas que depois do primeiro gole do café da manhã saem para a ação, numa renovada tentativa de mudar a composição do mundo.

Difícil entender por que somos assim. Vejo essa atitude em quem tem fé e em ateus, em gênios e em pessoas simples, em crianças e em velhos, em tristes e em felizes com a vida. Sonho satisfeito, frustração à vista. Constato isso até nos casais que antes juravam amor eterno pelos cantos da casa. Observo também no homem que empenhou a vida para ter em sua cama o corpo da mulher que desejava ardentemente. E no empresário casmurro que por tanto tempo empilhou dinheiro no cofre, escondendo-o com zelo. Quando não fica um resíduo, uma ponta do não realizado, é sempre a mesma tragédia. E o sussurro discreto que chega aos ouvidos mais atentos: “Então, foi pra isso que eu lutei tanto?”

É na esperança que firmamos nossos propósitos, mas como uma espécie de carta que lançamos ao mar na secreta expectativa de que ela jamais seja encontrada. O fato de escrevê-la já contém a resposta. Às vezes parecemos aquele menino mimado que atazana a vida dos pais para ter o mesmo brinquedo do colega de aula. Esse brinquedo que se tornará irrelevante assim que estiver em suas mãos. O mais bonito é sempre o inalcançado. Amorosa espera que regula o ritmo do coração e o põe em disparada. Eterna busca pelo doce trancado na vitrine da confeitaria.

Uma pista para entender isso. Quando obtemos algo, quase imediatamente passamos a descuidar do que antes nos dava a sensação de ser tudo o que precisávamos. Deixamos lá, atirado num canto, esquecido como uma vassoura de cerdas gastas. Amores terminam assim, amizades idem. Como admirar o que está (e pensamos, erradamente, sempre estará) ao alcance de nossas mãos? Quando a morte interrompe essa pretensão tão humana, saímos pelas ruas ganindo como um cão açoitado pelo passante insensível. Perder, ganhar, saber como tudo é frágil. Consciência relâmpago que não apaga o nosso andar rumo a tantas insatisfações. Talvez seja bom pensar um pouco antes de pedir algo. Os deuses, desejosos de se divertir com nossa trôpega ansiedade, podem nos conceder o que mais queremos.

Portanto, reflita duas vezes antes de percorrer as contas do seu rosário particular. Não peça só para alcançar, mas a renovação do desejo também. Não nos dizem os especialistas que a depressão costuma ser quase sempre a falta de vontade em continuar querendo, a paralisia diante do espetáculo do mundo? Olhar, olhar e se sentir imensamente enfastiado, com o rosto virado para o lado, afundando-o no travesseiro – tal é a nossa condição no mais das vezes.

São de Santa Teresa essas lúcidas palavras: “Mais lágrimas são derramadas por súplicas atendidas do que pelas não atendidas.”

Suplique menos, portanto. Alguém pode ouvir e atendê-lo.

domingo, 13 de março de 2011

Exibidos

A maioria de nós não quer mais ver, quer apenas ser visto

Conheço pessoas que envelheceram cedo, muito cedo. Olham para tudo com melancolia e saudade. Sonham com um tempo que nunca existiu, mas que, na sua fantasia, era perfeito. Suspiram em busca de uma infância e uma juventude perdidas. É seu Éden imaginário. Lá, acreditam, ficaram ancoradas as melhores paisagens de sua existência. E quando alguém aponta uma novidade, não querem nem saber do que se trata. Pensam que o melhor do mundo já ficou para trás.

É uma tentativa de reter lembranças que parecem mofar nas gavetas da memória. Mas é, também, uma recusa em perceber o movimento que gera a vida. Há 100, 200 anos, outros sentiram isso como nós, vislumbrando o esfacelamento de tudo que sustentava sua maneira de ver a realidade mais imediata. E assim acontecerá num futuro próximo e distante. É da natureza humana aparentar-se da insatisfação.

Tenho me esforçado consideravelmente para não parecer pai ou avô de mim mesmo. Sou muito crítico, o que dificulta um pouco a aceitação tácita do que o senso comum considera como as maravilhas da época em que vivemos. Computadores, por exemplo. São instrumentos utilíssimos, que facilitam o trabalho e aproximam mais as pessoas. Mas sigo viciado em abraços, olhares e sensações. Continuo analógico em grande parte do meu dia. Porém, quando recebo e-mails, respondo-os num curto espaço de tempo. Quem os envia fica nessa expectativa e não é simpático provocar frustração nos outros. Só que faço isso sem afobação, sem desespero. Por enquanto, meu maior desafio no universo virtual é o de escrever diariamente num blog. E acho admirável quem se dedica a outras formas de comunicação on-line. Desde que estabeleça limites e não ultrapasse a lógica do razoável.

Essa prédica toda é para chegar a um ponto que considero patológico. Estou cercado de colegas, parentes, vizinhos e desconhecidos que têm Orkut, Facebook, Twitter. Eles parecem se divertir muito com isso e não sou eu quem vai dizer que estão errados. Mas um fato preocupante tem me chamado atenção. Ilustro com uma situação recente: um casal de amigos viajou para Nova York. Assim que desembarcaram do avião, começaram a postar mensagens para que todos soubessem o que estavam vendo, fazendo, visitando, comendo. Estas informações chegavam aos correios eletrônicos a cada 20 minutos, meia hora, no máximo. Do início da manhã até o “boa noite, estamos indo dormir”. Verdade. Não passou um dia sem que o atarefado casal descrevesse em minúcias tudo o que passava pela sua frente. A conclusão óbvia é que aproveitaram pouquíssimo o passeio dos seus sonhos. Não queriam ver, queriam ser vistos, seja em palavras ou em fotos. É claro que depois do terceiro ou quarto dia ninguém estava mais interessado em suas aventuras. O detalhe importante é que eles estão loucamente apaixonados. Quando entre nós, passavam o tempo todo arrulhando, o que nos fazia lembrar esse adorável verso do Quintana: “Não existe nada mais chato no mundo do que o amor... dos outros”.

Conclusão: estamos nos transformando em Narcisos com endereço incerto. Só conseguimos ver a nós mesmos e achamos que todos estão sinceramente interessados em saber o que fazemos a cada segundo de nossa nem sempre interessante vida. Desde a roupa que estamos usando até o que jantamos. Sem entrar em outros detalhes que poderiam parecer escatológicos às almas sensíveis. Tem alguma importância dividir isso? Ajudem-me a entender, porque eu não consigo. Será que corro o risco de ser um sério candidato ao mais velho da turma?

O certo é que a banalidade (quase digo a vulgaridade) se transformou numa espécie de moeda universalmente aceita. Tudo virou platitude, carne de segunda servida em louça Limoges. Que venha o novo para arejar a vida. Sempre, sempre. Mas seria de bom tom se o pudor, algumas vezes, ainda enrubescesse a nossa face.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Eu Queria!

Eu Queria!


Queria tanto estar junto a ti, poder tocar-te a pele macia,
sentir o calor de teus braços, os meus aos teus envolvendo,
acariciar-te a nuca, sussurrar em teus ouvidos, oh agonia,
palavras não descrevem, tudo aquilo que estou perdendo!

Um olhar, doce, tranqüilo, sorridente e profundo,
cativante como o raiar da aurora, quero correr,
sentir a brisa fresca da manhã, quero respirar,
teu perfume a me atrair, me chamar, preciso viver,
estes momentos sem tempo ou espaço, desejo te amar,
te beijar, te falar, pois és minha vida, meu mundo!

E corre outra vez a madrugada, e meus dedos voam
a martelar estas frases em negro, contra o branco
desta tela sem alma, seguro na garganta meu pranto,
faltam-me as cores da tua presença, e aquele manto
de paz e carinho com que me abrigas, me envolves,
e as palavras doces com que minhas mágoas dissolves,
lembranças de ti, de nós, em minha cabeça ecoam!

Tão simples, tão puras, como um regato cristalino,
sem adornos, que não esparsas penhas desgastadas,
a testemunhar o correr das águas, persistência,
sempre na faina de moldar, sem perder a inocência,
seu caminho na terra, margens suaves, relvadas,
onde ainda é criança, este coração de menino!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Nos Braços do Anjo

Perca seu tempo esperando por uma segunda chance
Para o intervalo que aliviará isso
Lá há sempre uma razão para não se sentir suficientemente bem
E é difícil no fim do dia
Eu preciso de alguma distração oh lindo desprendimento
Memórias se infiltram pelas minhas veias
Elas talvez sejam vazias e leves, e talvez
Eu encontre alguma paz esta noite

Nos braços de um Anjo, voar para bem longe daqui
Desta escuridão, quarto gelado de hotel e o infinito que você teme
Você fora dos destroços do seu devaneio silencioso
Você está nos braços de um Anjo, talvez encontre algum conforto aqui

Tão cansado co caminho reto, e para todo lugar que você olha
Há abutres e ladrões nas suas costas
A tempestade continua destruindo, você continua construindo mentiras
Você se redime com todos de quem precisa
Não faz diferença, escapar uma última vez
É mais fácil acreditar
Nesta doce loucura, esta tristeza gloriosa
Que me deixa de joelhos

Nos braços de um Anjo longe daqui
Desta escuridão, quarto gelado de hotel e o infinito que você teme
Você fora dos destroços do seu devaneio silencioso
Você está nos braços de um Anjo, talvez encontre algum conforto aqui

Você está nos braços de um Anjo, talvez encontre algum conforto aqui